Os embalos de sábado à noite voltaram
Após um mês de exílio sem sair de casa resolvi voltar à antiga vida de festas, orgias e loucuras (bem... não é tudo isso mas deixa a coisa mais grandiosa).
Ligo para as velhas fontes e descubro uma festa de um partido político, um churrasco com comida e bebida, mas que teria que desembolsar uma pequena parcela para poder entrar. Sem problemas, era uma quantia pequena pra uma noite de fartas mesas cheias de carne. Ao menos era o que eu pensava.
Chegando no local, graças as minhas habilidades nênias adquiridas de séculos de treinamento com os mestres da invasão adentrei ao recinto e fui logo me adaptando ao local, e logo era parte da família, ou quase, afinal eram todas pessoas negras e pagodeiras (tive que esconder minha corrente e minha camiseta). Era como ser uma balinha azul no meio das vermelhas, mas tudo bem, ao menos tinha entrado de graça.
Ai começaram os problemas. O local do churrasco era no terceiro andar de uma casa sem cobertura, e como começou um vento forte, aliado a garoa fina gelada fez com que eu desejasse estar no calor do inferninho.
Logo a musica começou a tocar. Ouvi uma seleção de tortura composta de pagode, axé, funk, black e samba. A única bebida que tinha era cerveja, que ao contrario da temperatura ambiente estava quente, acho que era para contrariar o frio que estava. Eu me recusei a beber aquela porcaria, então nem pude ficar bêbado para aturar aquele festival de sons do inferno em dó maior. Quase cheguei ao ponto destruir meus próprios tímpanos.
Ai acenderam a churrasqueira. Ao menos a coisa ia ficar boa agora. Engano meu. Colocaram um cara que se acendessem um isqueiro perto da sua boca teríamos um lança chamas humano. O cara estava trêbado, era se como João Canabrava ou estivesse cuidando das carnes. De cada dez pedaços de carne que ele colocava para assar nove caiam dentro da churrasqueira e torrando na brasa.
Não tem idéia de como é irritante você estar lá, com fome, salivando esperando um pedaço de carne e quando ela esta ficando quase pronta cair dentro do carvão e ficar tostada.
Sem contar uma gordinha que chegou depois. Mas gordinha era elogio...ela era goooorda, mas gooorda mesmo, e consumia mais álcool que um carro velho. Ela estava tão desesperada que chegou no ponto de se abaixar bem na minha frente enquanto andava no corredor atrás dela. Se não fossem meus movimentos friamente calculados teria sido engolido por aquele abismo adiposo. Sem contar à hora que se jogou sobre mim, colocando todo o peso do seu corpo sobre o meu, e tive que encarar o hálito quente de enxofre do dragão. Senti-me como Atlas segurando aquele mundo de gordura.
Dei um jeito de me livrar do encosto colocando um amigo no caminho, que logo foi dominado pela fera. Pobre homem morto...
Não agüentei ficar lá muito tempo e acabei indo embora cedo. Foi uma bela maneira de começar meu retorno à gandaia
Escrito por Blackkwolfs às 06h31
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