Casamento da Dani
Como as coisas mudam. Logo o lunático que ninguém botava fé, aquele que ninguém achava que iria realmente sossegar. Enfim Dleon se uniu a Dani em sagrado matrimonio.
Acordei cedo, me arrumei, peguei um baita transito e cheguei atrasado, perdendo assim a van que iria levar o povo todo para o local do casamento, uma espécie de ilha acessível apenas de carro.
Com isso tive que depender de carona para chegar lá. Não, não tive que mostrar minhas pernas cabeludas e sensuais na estrada. Para minha sorte o pai da noiva me deu uma carona até lá, mas também iria pegar mais algumas pessoas no caminho, uma senhora idosa que parecia um maracujá seco de tanta ruga e para minha surpresa quando o carro parou em frente a uma casa vi alguém vindo que parecia ter saído do filme do professor aloprado.
Dizer que aquele cara era gordo seria muita bondade, ele era gooooordo, mas gooooordo mesmo!
Nisso comecei a pensar: "Perai...é ele? Onde ele vai sentar? Aqui? Não tem como...cadê a carreta pra levar ele?" Talvez eu devesse ter ficado em casa.
Após quase uma hora me sentido como uma sardinha sendo prensada por uns 130 kilos de gordura enfiada em um paletó que cheirava a naftalina chegamos finalmente ao local.
Muito verde, natureza e tal...mas um mero detalhe, na noite anterior havia chovido. Então estava um verdadeiro brejo. Uma lama desgraçada, as mulheres pisando e afundando com o salto na lama, mosquitos fazendo a festa nos convidados.
Depois foi o pequeno atraso da noiva, que simplesmente atrasou duas horas e meia. Nesse tempo tivemos que aturar um cara tocando cover de Kenny G, que já é uma bosta, imagine tocado por um amador. Sem contar os irmãos cantando o rap de Deus. Nessas horas eu queria esta com um mp3.
Comida regulada, sem bebida, um monte de desconhecidos que terminam as frases com "Gloria" e "Amém", isso estava indo de mal a pior.
Eis que finalmente a noiva chega. O noivo que já estava a vontade de bermudão tomando uma cerveja foi obrigado a vestir o terno de novo.
A noiva desceu do carro cantando, e me senti em um comercial de margarina, só faltou cantarem “Happy day” e ter uma coreografia de torradas dançantes.
Esse momento foi estranho, parecia mais um funeral. Os padrinhos com uma cara de sérios, alguns convidados de preto e chapéu com aquele véu preto, pessoas chorando, só faltou o caixão.
Após um discurso machista do tipo “a mulher é parte do homem e tem que obedecer” o pastor anuncia “vamos orar!”. Do nada todo mundo levanta as mãos para o alto.
Eu sem entender nada pensei se tratar de mais um enquadro da policia. Poxa vida...até lá eles me perseguem.
Não sei bem qual religião eles faziam parte, mas acho que era bem ortodoxa. O pastor a cada final de frase gritava algo meio árabe, ou seria japonês, enfim, ele parecia o ultraman com seus golpes de artes marciais. Slashs! Chicagas! Ashalambalanba! e coisas parecidas.
A hora de jogar o buquê foi horrível. As pobres encalhadas se amontoando numa briga cruel. Porque mulher tem essa coisa? Elas acham mesmo que se pegarem um monte de flores irão desencalhar e arrumar um otário para pagar as contas? Mas a noiva foi sacana e em vez do buquê jogou apenas uma flor, o que aumentou a disputa entre as barangas.
Falando em barangas ô lugar de gente feia. Sabe o que é não ter uma mulher bonita?
Coisa que não gosto em casamentos é essa tradição de extorsão que se baseia em passar cortando pedaços da gravata do noivo para arrecadar dinheiro para a lua de mel. Pra que diabos vou querer um pedaço de gravata? Usar como fio dental? Porque vou pagar caro por isso? Quando casar vou usar uma gravata arrastando no chão já toda marcada com centímetros para agilizar o processo.
Como fiquei sabendo desse casamento em cima da hora não deu para comprar um presente. Então resolvi dar um abridor de latas mesmo. Pensem bem, ninguém dá isso de presente. Imaginem o casal na lua de mel, usam suas panelas novas, seus pratos novos, ai resolvem preparar algo enlatado e...cadê? Onde esta o abridor? "Temos um processador de alimentos mas não temos um abridor! Maldita hora que pararam de fabricar facas guinsu. Elas cortariam essa lata facilmente".
Por isso dei um abridor, o presente mais útil que se pode dar para um casal recém - casados.
Para piorar tudo começou a cair àquela chuva. E como o local não tinha energia elétrica a festa praticamente acabou quando anoiteceu.
Eu não me vejo casando assim tão cedo. Ta difícil achar uma mulher cega, surda, retardada e maluca pra isso. Acho que vou acabar como esses velhinhos que ficam no banco da praça,falando sozinho e jogando pão seco pros pombos cantando "A perereca da vizinha" com a dentadura dentro de um copo ao lado.
Escrito por Blackkwolfs às 00h24
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